5 factos fascinantes sobre o cérebro que ajudam a compreender melhor a mente
O cérebro humano é um dos órgãos mais complexos do nosso corpo. Está envolvido na forma como pensamos, sentimos, aprendemos, criamos memórias e nos relacionamos com o mundo. Conhecer algumas das suas características pode ajudar-nos a compreender melhor o nosso comportamento e a importância de cuidar da saúde psicológica.
1. O cérebro consegue mudar ao longo da vida
Uma das características mais fascinantes do cérebro é a sua neuroplasticidade: a capacidade de modificar a força e a organização das suas ligações em resposta à aprendizagem, às experiências e ao ambiente.
Embora a plasticidade cerebral seja particularmente intensa durante determinados períodos do desenvolvimento, ela não desaparece na idade adulta. Ao longo da vida, aprender novas competências, adquirir novos hábitos e viver novas experiências pode promover alterações nos circuitos cerebrais.
A investigação também tem estudado alterações no funcionamento cerebral associadas à psicoterapia, embora a forma como essas mudanças acontecem seja complexa e dependa de muitos fatores. [1,2]
2. As emoções influenciam as nossas decisões
É comum pensarmos que uma boa decisão deve ser puramente racional. Na realidade, emoção e razão trabalham em conjunto.
A investigação em neurociência mostra que os sistemas cerebrais relacionados com as emoções participam na avaliação de riscos, recompensas, consequências e experiências anteriores. Emoções sentidas no momento — como medo, entusiasmo ou ansiedade — podem, por isso, influenciar significativamente as escolhas que fazemos. [3]
Isto não significa que decidir emocionalmente seja necessariamente negativo. As emoções fornecem informação importante sobre aquilo que valorizamos, aquilo que receamos e aquilo de que precisamos.
3. Enquanto dormimos, o cérebro continua muito ativo
Dormir está longe de significar que o cérebro simplesmente "desliga".
Durante o sono ocorrem vários processos importantes para o funcionamento cognitivo. A investigação tem demonstrado, por exemplo, um papel relevante do sono na consolidação das memórias, ajudando a estabilizar e reorganizar informação adquirida anteriormente. [4,5]
Por essa razão, a qualidade do sono está intimamente relacionada com funções como a memória, a aprendizagem, a atenção e a regulação emocional.
4. As nossas memórias não são gravações perfeitas
Apesar de muitas vezes sentirmos que estamos a "rever" um acontecimento exatamente como ocorreu, a memória humana não funciona como uma câmara de vídeo.
As memórias são reconstruídas quando as recordamos e podem ser influenciadas pelo contexto, pelas emoções e até por informações que recebemos depois do acontecimento. Estudos sobre memória mostram, por exemplo, que informações posteriores podem alterar a forma como uma pessoa recorda determinados detalhes. [6]
É também por isso que duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e guardar recordações diferentes do que aconteceu.
5. As relações sociais têm impacto no nosso bem-estar
Somos seres profundamente sociais. A qualidade das nossas relações está associada não apenas ao bem-estar psicológico, mas também a vários indicadores de saúde.
Uma grande meta-análise que reuniu dados de mais de 300 mil participantes encontrou uma associação significativa entre relações sociais mais fortes e maior probabilidade de sobrevivência ao longo do período estudado. [7]
Sentirmo-nos ouvidos, apoiados e compreendidos pode ser particularmente importante em momentos de dificuldade emocional. Esta dimensão relacional é também uma das componentes importantes do processo psicoterapêutico.
Cuidar da mente também é cuidar de nós
O cérebro está constantemente a adaptar-se às nossas experiências, relações e aprendizagens. Ao mesmo tempo, aquilo que pensamos e sentimos resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais.
Por isso, não existe uma explicação única para as nossas emoções ou comportamentos.
Quando pensamentos, emoções ou comportamentos começam a provocar sofrimento ou a interferir significativamente na vida pessoal, profissional ou social, procurar acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está a acontecer e a desenvolver novas formas de lidar com essas dificuldades.
Referências
- Lledo, P.-M., Alonso, M., & Grubb, M. S. (2006). Adult neurogenesis and functional plasticity in neuronal circuits. Nature Reviews Neuroscience, 7, 179–193.
- Barsaglini, A., Sartori, G., Benetti, S., Pettersson-Yeo, W., & Mechelli, A. (2014). The effects of psychotherapy on brain function: A systematic and critical review. Progress in Neurobiology, 114, 1–14.
- Bechara, A. (2004). The role of emotion in decision-making: Evidence from neurological patients with orbitofrontal damage. Brain and Cognition, 55(1), 30–40.
- Diekelmann, S., & Born, J. (2010). The memory function of sleep. Nature Reviews Neuroscience, 11, 114–126.
- Klinzing, J. G., Niethard, N., & Born, J. (2019). Mechanisms of systems memory consolidation during sleep. Nature Neuroscience, 22, 1598–1610.
- Brassil, M., et al. (2024). Do cognitive abilities reduce eyewitness susceptibility to the misinformation effect? A systematic review.
- Holt-Lunstad, J., Smith, T. B., & Layton, J. B. (2010). Social relationships and mortality risk: A meta-analytic review. PLoS Medicine, 7(7), e1000316.